terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Cinzas

Dar valor ao que não tem,
ao que se perdeu...
Um grito de dor,
Uma gota de orvalho caindo dos olhos,
do coração, um soluço...

Um ser morto a vagar pelas ruas,
Pela noite sem fim,
de estrelas caindo nos prantos do abandono,
no chão, debaixo da ponte, da vida...

Suspeitar de um momento,
de sentimentos que não precisão de palavras...
E enquanto a chuva começa a cair,
o mundo se desfaz no esquecimento...

A cada esquina que passa,
Cai um fio sem sentido, por quê?
Surgindo dos esgotos,
uma serpente que engoliu a fênix,
e num momento renasce das cinzas da fantasia...

Perde-se a voz, sem o grito do desespero,
o caminho...
Volta-se para aquele ser morto,
a vagar.
Para aquele corpo esquecido,
sem a própria paixão...

Não há cinzas que vire o pó mágico do renascimento...
Não há cinzas que possa se da algum valor, não...
Não há cinzas que venham da solidão de não ter dado valor,
que possa ter cheiro de rosas...
Não há cinzas que, ainda que seja da serpente do universo,
do espaço, que possa ser usada para renascer o amor...
Vagarás sempre, a procura do primeiro beijo...
Da eternidade...

Belém-Pará, dia 22 de fevereiro de 2010.

O Tempo Não Para

Vamos longe, bem longe,
Buscar o balanço da vida,
Uma estrela, um brinquedo,
O futuro é mais duvidoso que uma brincadeira de crianças,
No escuro...

Fingindo, seguindo,
Passo por passo, largos, sem fim,
Vamos com tudo, com calma,
O sonho esta dentro de nós,
E não podemos ir embora sem concretizá-lo...

Num balanço, disparar-nos contra a luz do fogo, de balas,
Sobreviver é o principal, é claro.
E sem deixar que o tempo pare,
Os arranhões ganhos pelos caminhos,
cicatrizará os corações, os nossos corações...
Cuidado, pois, o tempo não para!

Belém-Pará, dia 18 de fevereiro de 2010.

Esta noite eu tive um sonho...

Estava sentado na platéia.
Enquanto lá no fundo, no palco,
O blues chorava de saudades...

Estava só, longe de casa,
O suor do copo de uísque corre pela mesa,
O cigarro no cinzeiro pede minha boca,
A luz reflete os olhos da cantora...

A porta do bar se abre,
Ele entra, senta na mesa a frente,
Também está só e longe de casa.
Da um tempo...
Me olha e pedi um cigarro,
Ofereço um copo de uísque,
E sem trocar palavras, senta ao meu lado...

A noite passa,
O cigarro acaba, o uísque seca,
A cantora da boa noite num blues de despedida...
Saímos pela noite chuvosa
a procura de outro bar, outro blues.

Paramos numa esquina,
O sinal esta vermelho,
Olhamos um pro outro,
Ele pega na minha mão e me da um abraço...

De repente, uma estrela aparece no céu,
Ainda estamos parados na esquina,
a chuva ainda encharca nossa alma,
mas agora o sinal esta verde...
Ele então me beija, nos beijamos,
E o mundo para...

De repente, dois faróis vem em nossa direção,
Um bêbado, como nós dois,
Um bêbado da noite, um bêbado de chuva,
um bêbado de saudade, bêbado de blues...
Essa noite eu tive um sonho...

Belém-Pará, dia 17 de fevereiro de 2010.

Parafraseando “João Bosco Batista Caldeira”?

Hoje eu li João,
Me identifiquei com Bosco,
Viajei nos versos de Batista,
E cai de joelhos aos pés de Caldeira.

Não vi palavras diferentes,
Um turbilhão de pensamentos,
O ‘inverso do verso’ me calou,
E os versos do inverso me fizeram entende-lo...

Não usa de difíceis palavras, pra que?
O dia-a-dia, dia a dia,
As noites, os bares, os simples momentos,
O fazem exalto...

O “Inverso do Verso” marcou uma época, sua época,
Onde a poesia se mostrou bela,
A mais bela forma para se demonstrar pensamentos, sentimentos...

E assim, a floresta, o rio, o vento, a ‘vida de gado’
Ou o simples cotidiano de uma convivência,
O fez poeta...

João e Maria,
João B.B. Caldeira,
E Maria é a vida vivida pelas suas palavras.
Um poema...
João Bosco Batista Caldeira.

Belém-Pará, dia 14 de fevereiro de 2010.

Ontem Desapareci

Ontem desapareci,
No sonho que eu quis viver,
Como um sol no jardim que acredita ser real,
Com um pássaro que acredita ser imortal...

Ontem desapareci,
Me vesti de nuvens negras e me perdi nos céus,
Desapareci entre o arco-íris e megatões,
Levado pelos ventos do velho norte...

Ontem desapareci,
Abracei o mar de gotas, desapareci...
Me entreguei, desapareci...
Forçado a ajoelhar diante da vida...

Ontem desapareci,
Correndo atrás da pomba e tropeçando em folhas,
Desapareci entre lágrimas,
De um olhar cansado, profundo e confuso...

Ontem desapareci,
Desapareci no crepúsculo, no desejo.
Desapareci na paixão, no amor.
Ontem desapareci na saudade...

Belém-Pará, dia 07 de fevereiro de 2010.

Minha Ronda

Numa noite cheia de olhares boêmios,
Fui a tua procura,
Cantei em todos os bares,
Chorei com todos os bêbados,
Sentei nas sarjetas e olhei as estrelas,
Não te encontrei...

Dancei todas as serestas e boleros de fossa,
Fumei charutos e cigarros baratos,
Misturei uísque com água ardente,
Quase tive você em meus braços...

Subi nos morros, me perdi,
Cantei sambas de saudades
Incorporando Noel e Pixinguinha,
Mas foi Cartola que esculpiu na música,
O meu amor por ti...

Meus olhos queimam de lembranças,
Sozinho, me deito na areia, olhando a lua,
E foi então que Vinicius,
Rastejando pelos calcanhares da minha alma,
Fez do meu amor um poema,
E te fez infinito, dentro do meu pobre coração...

Belém-Pará, dia 04 de fevereiro de 2010.

(Amor III)

Um casal sentado na beira da praia,
Abraços, olhando o por do sol,
Sentindo a brisa em seus rostos,
Felizes, um com a presença do outro...

Um filho que corre para abraçar a mãe, com saudades,
O lindo sorriso no rosto da criança,
O primeiro filho,
O primeiro sentimento...

Amigos que se encontram depois de tanto tempo,
Uma verdadeira festa,
As brincadeiras que exalam gargalhadas sem fim,
Um abraço coletivo em lágrimas, na despedida...

O momento de colocar a flor e jogar um punhado de terra,
Plantando ali uma semente,
A semente da eternidade...
Uma mãe, um pai, um filho, um irmão,
um amigo, alguém que vai...

Aquele friozinho na barriga,
Aquela vontade, aquela sede, de ter aquele alguém.
As trocas de olhares, de sorrisos tímidos,
O beijo sob as estrelas, o êxtase...

Então, o que é o amor, amar?
A vida é tão complicada e simples ao mesmo tempo,
Alguém só saberá se estar vivo,
No momento em que uma outra mão segurar a sua e caminha junto,
Percebendo então que estar vivo é estar amando,
E que quem vive, ama sem saber...
A vida já é o amor...

Belém-Pará, dia 03 de fevereiro de 2010.

Tango

Na boemia de um tango
Desejo teu corpo junto ao meu,
Para bailarmos pelas noites sem fim,
E nos amarmos entre os lençóis de Carlos Gardel...

As pernas vão juntas,
Nos passos da paixão, do desejo,
Vamos, no querido tango,
Deixar que nos leva as estrelas...

No bandoleiro, na voz, no calor do corpo,
Nos passos rápidos e sensuais,
Hipnotizando a quem vê... Vai às nuvens...
Choramos abraçados, coração com coração,
Olhos nos olhos,
E no passo final,
Um beijo...

Belém-Pará, dia 03 de fevereiro de 2010.

Antigamente... Saudades...

É a sorte, ousada,
Em tristes momentos vazios,
Um pássaro que canta no vento, em árvores,
Uma criança que corre, brinca, dança e nos sorri...

Numa varanda, sentado na cadeira de balanço,
A rede balança sozinha, entre folha voando,
O cachorro deitado aos seus pés, balançando o rabo num sorriso,
E a vida passa, mostrando-se lindamente eterna...

Na visita dos amigos,
Abraçamos a sorte num grito de amizade...
E como se fosse um suicídio perfeito,
As lembranças trazem as lágrimas da saudade,
E uma alegria infinita...

Belém-Pará, dia 01 de fevereiro de 2010.

( )

Enquanto caminhava pela estrada de um arco-íris,
Coberto por um céu de sonhos,
Queria encontrar no fim,
O descanso, a eternidade...
Passei por nuvens tempestuosas,
Desviei de raios de trovões.
Andei sobre a chuva que batizava o mundo,
Cantei com arcanjos a trilha sonora do universo,
Reescrevi os mandamentos do homem,
E inclui a poesia como a primeira passagem para o paraíso...
Falei com Deus e ele disse, Amem!
Fez-me então seu principal discípulo,
E pediu para que eu fosse ate o fim do arco-íris,
Dando aos homens força, coragem, determinação,
E lhes mostrasse que a verdadeira razão da vida esta no amor,
No amor escondido nos versos de um poema,
Um poema chama vida!...

Belém-Pará, dia 27 de janeiro de 2010.

E mais saudades...

A gaita soa longe,
A chuva chega tímida,
Sinto saudades daquele mar,
daquele vento...
Daquela escada onde juntos,
sonhávamos mais que a própria vida...

Belém-Pará, dia 23 de janeiro de 2010.

Qual será o título?

O rádio toca o que ele não quer ouvir,
Uma voz roca grita a cada minuto.
Ele deita no chão e fecha os olhos,
De repente tudo se calou, e agora só ouvi o silencio.

As cortinas voam de um lado pra outro,
O vento brinca com seus cabelos.
Ele se arrasta até a porta, alguém bate.
Lá no fundo ele ouvi nome,
Olha pela fresta da porta e vê a morte.

Subitamente ele levanta e corre para seu quarto,
Seu rosto agora transparece o susto,
Seu olhar grita o medo,
Ele então chora...

Ele vai até a gaveta,
Pega um lápis e papel,
Tenta escrever uma carta,
Ele quer escrever uma carta.
Anda de um lado para outro,
Está louco!
E então escreve um poema...

Deita no chão novamente, ainda aos prantos,
Agora ouvi passos, passos acelerados.
Sutilmente a porta do quarto de abre,
Alguém entra e senta ao seu lado,
Passa a mão no seu rosto,
Afaga seu cabelo...
A rádio volta, com a voz roca...

Ele pensa: e agora?
Uma brisa passa por seus dedos,
Um cheiro de rosas exala,
Então uma suave voz diz:
Vim te fazer companhia, sou eu, a saudade...

Belém-Pará, dia 23 de janeiro de 2010.

( )

Ouvi o cantar do vento,
corri para abraçar a saudade,
sentamos lado a lado, adorando o céu,
usei seu colo como repouso de lágrimas distantes...
Acariciava-me como a um filho,
Não trocamos palavra alguma,
apenas sentimos um ao outro,
os abraços e as lágrimas disseram
mais do que podíamos...
Então dormimos no cantar das estrelas,
e fomos levados de volta para os sonhos
e esperanças de criança...

Belém-Pará, dia 17 de dezembro de 2010.




( )

Sinto-me perturbado pelo desconhecido,
Meu corpo quer descansar,
mas meu coração insiste em levá-lo noite a dentro...
Numa só melodia,
os séculos da minha alma se encontram,
quero voltar, para onde nunca estive...

Enquanto me calo,
Minhas mãos soltam um grito de desespero,
e então meus olhos se abrem numa só voz,
acordando para a claridade da vida real,
que de agora em diante,
seguirá por passos curtos,
mas muito rápidos...

Belém-Pará, dia 17 de janeiro de 2010.




( )

O quê que estou procurando?
Correndo no vento vago entre horizontes,
Despindo um sentimento
abrindo um caminho escuro,
entre o abraço e o beijo...

Se todos fossem assim,
Iguais na luz de uma estrela cadente decadente.
Eu procuro verdades que ninguém vê...
Se todos ao meu redor fossem um só corpo,
alma e coração...

O que procuro?
No insistir de loucos por busca de paz,
Procuro sempre, no fim de tudo,
a parte que falta para completar aquele sentimento,
para dar as mãos,
olhar nos olhos,
e amar, mais e mais...

Belém-Pará, dia 19 de janeiro de 2010.




( )

O vento nos ronda saltitante,
A estrelas brilham mais intensas,
E uma força cresce por dentro...

O caminho de pedras vai se abrindo,
Os pés vão sentindo o impacto dos primeiros passos,
Com o tempo, nessa longa caminhada,
As pedras se encaixaram nos seus devidos lugares,
Então, os pés sentiram um caminho livre e reto,
Sem fim...

Belém-Pará, dia dezembro de 2009.



( )

Aquele caminho se fechou,
Mudando o curso do rio de águas secas,
Fechou, juntos as pedras imersas,
A estrada de luz onde o sol reinava...

Reinava um clima de euforia posta,
Provando a existência de uma dor contida,
Uma luz, uma luz que fugia para longe,
Explodiu nos céus da aurora...

Vimos então, a história de um urso em fúria,
Gritamos socorro, em lágrimas esvoaçantes...
Um olhar estático, de uma criança,
Fez com que o céu parasse os pássaros, em cantos...

O caminho foi sugando aos poucos,
A respiração era mais ofegante que de uma baleia,
Ah, que se nesse momento não fosse o canto
A vida morreria sem ter tido um amor...

Do lado direito a esperança,
Do esquerdo a força,
Atrás, uma raiz fortificou,
E na frente, um caminho de luz renasceu...

Um tímido passo foi dado,
O vento trouxe de longe um frio,
E então, os pensamentos formaram as pétalas de rosas,
Num jardim de cores sem fim...

Belém-Pará, dia 22 de janeiro de 2010.



( )

Ouvi o cantar da manhã,
Sentei-me na porta olhando o céu,
Os pássaros voaram entre o vento e a fumaça,
Enquanto meu corpo estava quente, e minha alma fria...

Muitas manhãs se foram,
E ainda não falei de mim a quem merece,
É estranho, pois o sentimento que me guarda
Não me faz querer a saudade...

Nessas inúteis manhãs, eu me calo,
Olhando no espelho um fraco ser, uma estátua,
Que da vida leva tudo,
E de si mesmo não leva nada.

Há três garrafas a minha frente,
Estão secas, foram secas pelo sangue,
E agora estão cheias pela implacável inutilidade
de uma fuga.

Logo a diante há uma churrasqueira
A olhar pra mim como quem queima um pedaço e carne,
Um corpo, um inútil e morto corpo,
E apesar de não ter brasas acesas,
Usa do sol para incendiar meu estático olhar...

Peço agora um minuto de silencio,
de olhos fechados.
Peço agora um grito.
E então abra os olhos,
Estás a pisar no chão
e chegou a hora de acordar pra vida...


Belém-Pará, dia 23 de janeiro de 2010.

Os Meninos de Curupá

Ouvem-se gritos,
os sorrisos brilham com o sol,
aos poucos aparecem desbravando
as águas do esquecimento,
aos poucos, com esperanças,
e acreditam naquele presente...

Todos levantam para ver se aproximando,
as conoas surgem da escuridão verde de sonhos,
o tempo por aqui passa despercebido,
e a vida pára, sem promessas de um futuro...

São apenas crianças,
mas crianças com coragem de homens, adultos,
com um brilho nos olhos que nos fazem ceder ao vento,
aquelas lágrimas no fundo do coração e
nos largos da alma humana...

Daqui pra li eles aparecem,
Os botos os rodeiam lívidos,
nos movemos no ar distante das américas,
onde todos somos americanos,
mas nem todos somos vistos como filhos desta terra...
Brasil?...

Dia 17 de janeiro de 2010.

Dedicatória...

Dedicar, eu poderia dedicar-te o céu e todos os seus sonhos,
Seus brilhos e esperanças...
Eu poderia dedicar-te todas as estrelas, a lua, todas as gotas
de água do mar, da chuva... Todos os raios de sol,
cada nuvem branca que passeia com o vento, todas as cores
do arco-íris, cada folha a voar no tempo...
Eu poderia dedicar-te um mundo de tudo que existe de mais belo,
Mas sei que ainda seria pouco,
pois você carrega no coração todo um ser completo,
você tem a poesia, o universo,
e isso basta...

Santarém-Pará, dia 12 de janeiro de 2010.

( )

( )

Voarei, pelas verdes águas de minha história,
Vou ao encontro dos tempos...
Por ventos sou levado para as entranhas do norte,
Pelos ventos do velho norte...

Voarei, pelas margens da loucura,
cantarei com o uirapuru a saudade,
buscarei os olhares famintos por abraços,
e beijarei os rostos do amor amigo...

Voarei, além das nuvens,
para as grandes montanhas do ser,
derramarei lágrimas, lavando minha alma,
minha boca, com os doces beijos do reencontro...

Santarém-Pará, dia 22 de dezembro de 2009.




( )

Num ar patético de tristeza e melancolia,
o meu corpo desfalece,
na ausente presença do teu beijo,
do teu corpo, do teu olhar, da tua saudade,
da tua tristeza e felicidade, da paixão e do nosso amor...

O meu corpo,
que estremece diante o frio sonho da distancia,
que se cala, no verde olhar do horizonte azul...
Me deito nas águas,
e num patético sentimento eu penso,
e olho pra trás, vendo a tua imagem
refletida nas minhas lagrimas...

Santarém-Pará, dia 23 de dezembro de 2009.




( )

Num corpo intragável de nudez,
Uma fantástica sombra de desejo,
arrebata o calor de dois corpos,
e dilacera o silencio,
com o ruído de um beijo...

Itaituba-Pará, sem data.

Uma 'foto-grafia'

Curvas como a de uma estrada,
que leva ao abismo perdido de loucuras.
Um olhar que nos faz mergulhar
nas profundezes de um oceano.
Uma pele que transpira a ingenuidade.
Toda uma forma, completando um ser
que ainda busca conhecer a vida...

Uma estátua humana de flores a brotar,
Uma confusão de exclamações que
se transformam em inumeras interrogações.
Uma redação corporal,
sem título ou entendimento.
Horizontes cruzando a 'aurora',
e ainda que não sendo 'boreal',
tem o explendor da noite, do dia, do sol, das estrelas...
Tudo, em uma só 'foto-grafia'...

Belém-Pará, dia 09 de dezembro de 2009.